15 de Maio: Dia de Lutas, Dias de Resistências - 15/05/2018 - 01:52

Em 15 de maio comemoramos o dia da/o assistente social. A profissão, no Brasil, surge nos anos 30 do século passado, numa articulação entre a igreja católica, as instituições liberais e o empresariado que requeriam um novo perfil profissional para atuar na realidade de desigualdades típicas do desenvolvimento do capitalismo. O serviço social brasileiro atravessou os anos 1960, no contexto da ditadura civil-militar, na busca de sua reatualização profissional, buscando afastar-se do “tradicionalismo profissional” e fortalecer-se em sua dimensão teórico-metodológica.

Mas foi no contexto da realização do III Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (CBAS – o “Congresso da Virada”), em 1979, na cidade de São Paulo, que a vanguarda profissional se posicionou pela redemocratização do país e a favor da classe trabalhadora. A partir disso, teve importante papel na defesa dos direitos sociais e na construção de um modelo de proteção social de Seguridade, presente na Constituição Federal de 1988.

Um marco importante cabe registro sobre a trajetória recente de nossa profissão: a construção de um projeto profissional vinculando a uma nova ordem societária. Desse processo destacam-se a lei de regulamentação da profissão (Lei nº 8.662/93), seu Código de Ética profissional vigente, as Diretrizes Curriculares da ABEPSS (Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social), as pautas e bandeiras de lutas das entidades organizativas da categoria, o protagonismo do movimento estudantil de serviço social, dentre outros importantes aspectos.

A profissão tem sido atingida por um processo de precarização de seu trabalho: subalternidade técnica, desvalorização profissional, baixos salários, empregos temporários e rotativos, terceirização etc. Também tem sofrido um processo de precarização da formação profissional, com o sucateamento das universidades públicas, a expansão do ensino privado e, principalmente, à distância, aligeiramento da formação profissional, desfinanciamento do ensino superior etc.

Mas há resistências. Garantir um projeto de formação profissional embasado nas diretrizes curriculares da ABEPSS é um grande desafio. Garantir uma formação profissional pública, gratuita, de qualidade, presencial, crítica, socialmente referenciada, laica é outro. Isso tem sido um compromisso no âmbito do Serviço Social da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Outro compromisso é viabilizar isto num processo de interiorização da formação profissional.

Neste dia, gostaríamos de parabenizar a todas/os profissionais que lutam cotidianamente pela viabilização dos direitos sociais. Esta homenagem se estende ao conjunto de discentes - assistentes sociais em formação.

Os tempos nos exigem lutas e resistências: a favor do direito ao acesso à universidade pública, a uma formação profissional de qualidade e crítica, em defesa das políticas sociais e dos direitos sociais, o compromisso com a democracia, a defesa dos direitos humanos, ao combate a todas as fobias e eliminação de todas as formas de preconceitos.

No dia 15 de maio, mais um dia de lutas; mais um dia de resistências. Dias de vitórias.

 

Fonte: Colegiado do Curso de Serviço Social (CCJS/UFCG)

 

Flávio Ferreira - Redator Publicitário

(Ascom/CCJS)